Relato científico

Como relatar resultados estatísticos no artigo

Equipe Evidens · 11 de junho de 2026 · leitura de 7 min

Uma análise correta mal relatada vira um artigo difícil de revisar — e fácil de recusar. Boa parte dos pareceres pede esclarecimentos não sobre a estatística em si, mas sobre como ela foi descrita: testes que aparecem nos Resultados sem terem sido anunciados nos Métodos, valores de p soltos, estimativas sem intervalo de confiança. Este guia organiza o que vai em cada seção e os deslizes mais comuns.

Nos Métodos: descrever a análise

A seção de análise estatística deve permitir que outro pesquisador reproduza o que você fez. Inclua:

Tudo o que aparecer nos Resultados precisa ter sido anunciado aqui. Um teste que surge só na tabela, sem menção nos Métodos, é um dos apontamentos mais frequentes de revisores.

Nos Resultados: apresentar os números

A regra de ouro: estimativa + precisão + significância, nessa ordem de importância. Para cada achado relevante, apresente o tamanho do efeito (diferença de médias, odds ratio, risco relativo, hazard ratio) com seu intervalo de confiança de 95% e o valor de p. O intervalo de confiança comunica magnitude e precisão — o que o valor de p sozinho nunca diz.

Quer segurança no relato da sua estatística?
A Evidens executa a análise, monta as tabelas e figuras de Resultados e revisa o seu relato conforme a revista — você continua único autor.
Solicitar orçamento

Valor de p: exato, não rótulo

Reporte o valor exato (p = 0,03; p = 0,21), em geral com duas a três casas decimais, em vez de apenas "p < 0,05" ou "NS". Para valores muito pequenos, use a convenção p < 0,001. Nunca escreva "p = 0,000": nenhum valor de p é exatamente zero.

Casas decimais com parcimônia

Use só os dígitos que os dados justificam: percentuais com uma casa decimal, estimativas com duas costumam bastar. Reportar uma idade média como "54,3827 anos" transmite uma precisão que a medida não tem. E sempre que citar um percentual, deixe claro o denominador — "12% (18/150)".

Texto, tabela e figura não se repetem

Cada número aparece uma vez, no lugar mais adequado. O texto destaca os achados principais; a tabela guarda o detalhe; a figura mostra padrões. Repetir os mesmos valores nos três cansa o leitor e multiplica as chances de inconsistência entre eles.

Os deslizes que mais aparecem

Deixe a diretriz guiar

Cada desenho tem uma diretriz de relato que funciona como checklist do que reportar: STROBE para observacionais, CONSORT para ensaios clínicos, STARD para acurácia diagnóstica, PRISMA para revisões sistemáticas. Todas convergem no mesmo princípio: apresentar estimativas com seus intervalos de confiança, descrever a análise com transparência e não esconder o que foi planejado versus o que foi exploratório. Seguir a diretriz aplicável desde o início poupa rodadas de revisão.

Perguntas frequentes

O que deve constar na seção de análise estatística dos Métodos?

Os testes usados, como as variáveis foram resumidas, o nível de significância, o tratamento de dados faltantes e o software com a versão.

Devo reportar o valor de p exato ou só p < 0,05?

O valor exato (ex.: p = 0,03), com duas a três casas. Valores muito pequenos como p < 0,001. Evite reduzir tudo a "significativo" ou "NS".

Por que sempre apresentar o intervalo de confiança?

Porque ele comunica magnitude e precisão do efeito, o que o valor de p sozinho não dá. As diretrizes de relato recomendam apresentá-lo.

Quantas casas decimais usar?

Apenas as que os dados justificam — percentuais com uma casa, estimativas com duas costumam bastar. Sem excesso de dígitos.

Precisa de método ou análise para o seu estudo?
A Evidens faz desenho, análise e figuras — você continua único autor.
Solicitar
Equipe Evidens · publicado em 11 de junho de 2026 · Conheça nossos serviços