Decisão de análise

Qual teste estatístico usar

Equipe Evidens · 11 de junho de 2026 · leitura de 7 min

"Qual teste estatístico devo usar?" é provavelmente a dúvida mais frequente de quem está fechando um TCC, uma dissertação ou um artigo. A boa notícia: a escolha não é uma questão de gosto — ela decorre logicamente de três perguntas sobre os seus dados. Este roteiro mostra como chegar ao teste certo sem chutar.

As três perguntas que definem o teste

  1. Que tipo é a variável de desfecho? Contínua (peso, pressão, idade), categórica (sim/não, estágio), ordinal (escala de dor) ou tempo até um evento (sobrevida).
  2. Quantos grupos você compara? Um, dois ou três ou mais.
  3. As observações são independentes ou pareadas? Pessoas diferentes em cada grupo (independentes) ou a mesma pessoa medida antes e depois (pareadas/repetidas).

Com essas três respostas, o teste praticamente se escolhe sozinho.

Paramétrico ou não paramétrico

Para desfechos contínuos, ainda há uma bifurcação. Os testes paramétricos (teste t, ANOVA) assumem que os dados — mais precisamente, os resíduos — seguem distribuição aproximadamente normal e, em alguns casos, variâncias semelhantes entre grupos. Quando esses pressupostos não se sustentam, usa-se a versão não paramétrica correspondente, que se baseia em postos (rankings) e não exige normalidade. Tratamos essa decisão em detalhe no informativo sobre teste t ou Mann-Whitney.

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Tabela de decisão

Use a tabela abaixo como mapa. As colunas paramétrica/não paramétrica valem para desfechos contínuos; para categóricas, a coluna única já indica o teste.

SituaçãoParamétricoNão paramétrico
2 grupos independentes (desfecho contínuo)Teste t para amostras independentesMann-Whitney
2 medidas pareadas (mesmo indivíduo)Teste t pareadoWilcoxon
3+ grupos independentesANOVA de uma viaKruskal-Wallis
3+ medidas repetidasANOVA de medidas repetidasFriedman
Associação entre 2 categóricasQui-quadrado (ou Fisher se frequências baixas)
Associação entre 2 contínuasCorrelação de PearsonCorrelação de Spearman
Prever desfecho binárioRegressão logística
Tempo até um eventoKaplan-Meier + log-rank; Cox

Cuidado com as comparações múltiplas

Quando há três ou mais grupos e a ANOVA (ou Kruskal-Wallis) dá significativa, a pergunta natural é "quais grupos diferem?". Aí entram os testes post hoc com correção para múltiplas comparações. Fazer vários testes t dois a dois sem correção infla o erro tipo I — um descuido comum.

Erros frequentes na escolha

Defina o plano antes de coletar

A melhor hora de escolher o teste é no plano de análise estatística, junto com o cálculo amostral — não depois que os dados chegaram. Diretrizes de relato como o checklist STROBE/CONSORT pedem que os métodos estatísticos sejam descritos com clareza, incluindo como pressupostos foram verificados. Decidir cedo evita o viés de escolher o teste que dá o resultado mais conveniente.

Perguntas frequentes

Como escolho entre paramétrico e não paramétrico?

Pelo tipo de variável e pelos pressupostos. Em desfechos contínuos, testes paramétricos assumem normalidade aproximada; quando ela não se sustenta, usa-se a versão não paramétrica.

O que define qual teste usar?

Três perguntas: o tipo da variável de desfecho, o número de grupos e se as observações são independentes ou pareadas.

Qui-quadrado serve para qualquer variável?

Não. Ele compara variáveis categóricas. Para desfechos contínuos use teste t, ANOVA ou suas versões não paramétricas.

Posso escolher o teste depois de ver os dados?

O plano deve ser definido antes. Verificar pressupostos é legítimo; trocar de teste só porque um deu significativo não é.

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Equipe Evidens · publicado em 11 de junho de 2026 · Conheça nossos serviços