Análise de sobrevida

Curva de Kaplan-Meier: como interpretar

Equipe Evidens · 11 de junho de 2026 · leitura de 7 min

A curva de Kaplan-Meier é a imagem mais reconhecível da pesquisa clínica: aquelas linhas em degraus que descem com o tempo. Ela resume a análise de sobrevida — o estudo do tempo até um evento. Mas ler a curva corretamente exige entender três conceitos: a censura, o teste de log-rank e o que a curva não consegue fazer sozinha.

O que a análise de sobrevida mede

Apesar do nome, "sobrevida" não se limita a morte. O método se aplica a qualquer tempo até um evento: recidiva de um tumor, alta hospitalar, falha de uma prótese, abandono de tratamento. O que importa é que cada participante contribui com quanto tempo levou até o evento — ou até deixar de ser observado.

Como ler a curva

Censura: o coração do método

A censura é o que torna a análise de sobrevida diferente. Quando o estudo termina e um participante ainda não teve o evento — ou quando ele se perde do seguimento —, não sabemos quando (ou se) o evento ocorrerá. Mas sabemos que ele sobreviveu pelo menos até aquele ponto. Kaplan-Meier aproveita essa informação parcial em vez de descartá-la.

Há um pressuposto importante: a censura deve ser não informativa — quem é censurado não pode ter um prognóstico sistematicamente diferente de quem permanece. Se pacientes mais graves saem do estudo justamente por estarem piores, a curva fica enviesada.

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Comparar grupos: o teste de log-rank

Quando há duas ou mais curvas (por exemplo, tratamento A vs. B), a pergunta é se elas diferem. O teste de log-rank compara as curvas ao longo de todo o seguimento e produz um valor de p. Dois pontos a lembrar:

Quando partir para o modelo de Cox

Kaplan-Meier e log-rank são não ajustados: comparam grupos sem levar em conta outras variáveis (idade, estágio, comorbidades). Para estimar o efeito de um fator controlando por outros, usa-se o modelo de regressão de Cox, que fornece o hazard ratio (HR) — a razão entre as taxas instantâneas de evento de dois grupos.

Um HR de 2 significa o dobro da taxa de evento a cada instante; um HR de 0,5, metade (efeito protetor). O modelo de Cox assume riscos proporcionais: a razão entre os grupos se mantém ao longo do tempo. Esse pressuposto precisa ser verificado — curvas que se cruzam são um sinal de alerta de que ele pode não valer. Veja o detalhe em regressão de Cox e hazard ratio.

Como reportar

Uma análise de sobrevida bem relatada traz: a curva de Kaplan-Meier com a tabela de números em risco, o valor de p do log-rank, e — quando há ajuste — o hazard ratio com seu intervalo de confiança. O número de eventos importa tanto quanto o número de participantes para o poder do estudo. Diretrizes de relato como o checklist STROBE reforçam a transparência sobre seguimento, censura e métodos.

Perguntas frequentes

O que é censura na análise de sobrevida?

Ocorre quando o evento ainda não aconteceu para um participante ao fim do seguimento. Sabe-se que ele sobreviveu até certo ponto, e essa informação parcial é aproveitada.

Para que serve o teste de log-rank?

Compara as curvas de dois ou mais grupos ao longo do seguimento e testa se diferem. Dá um valor de p, mas não quantifica a diferença.

Qual a diferença entre Kaplan-Meier e modelo de Cox?

Kaplan-Meier descreve e compara curvas sem ajuste; Cox estima o efeito ajustado por outras variáveis e fornece o hazard ratio.

O que é o hazard ratio?

A razão entre as taxas instantâneas de evento de dois grupos, sob o pressuposto de riscos proporcionais.

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Equipe Evidens · publicado em 11 de junho de 2026 · Conheça nossos serviços