Dados de rastreamento de câncer colorretal: como transformar em artigo publicável
O rastreamento do câncer colorretal entrou na agenda brasileira em 2026, com a aprovação da primeira diretriz nacional para o SUS. Isso abre uma janela de pesquisa clara: há dados administrativos acumulados, uma política nova para avaliar e uma epidemia de casos em adultos jovens que ninguém explicou por completo. É terreno fértil para artigos, teses e trabalhos de conclusão.
O problema é que rastreamento é uma das áreas onde é mais fácil publicar um estudo errado que parece certo. Os vieses são sutis, o desfecho intuitivo (sobrevida) é o desfecho enganoso, e boa parte das bases de dados brasileiras não responde a pergunta que o pesquisador acha que está respondendo. Este guia percorre o caminho do dado ao manuscrito: quais bases usar, que desenho escolher, os vieses clássicos que derrubam o trabalho na revisão, a estatística correta, as diretrizes de relato e as exigências éticas.
Comece pela pergunta que a base consegue responder
O erro mais comum em pesquisa com dados secundários é escolher o banco antes da pergunta e depois torcer para que ele responda. Rastreamento é especialmente traiçoeiro nesse ponto, porque as bases administrativas registram o que foi faturado, não o que foi pretendido.
Um exemplo concreto: você quer estudar cobertura de rastreamento colorretal no SUS. Parece que o SIA (Sistema de Informações Ambulatoriais) resolve, já que ele registra as colonoscopias e as pesquisas de sangue oculto pagas pelo sistema. Mas o código do procedimento não diz se a colonoscopia foi de rastreamento, de investigação de um sintoma ou de seguimento de um pólipo. Sem essa distinção, "número de colonoscopias" não é "cobertura de rastreamento". A tabela abaixo resume o que cada base permite e o que ela não permite.
| Base | Permite responder | Não permite |
|---|---|---|
| SIM (Mortalidade, desde 1996 em CID-10) | Mortalidade por câncer colorretal (C18 a C21) por idade, sexo, UF e tempo; tendências temporais | Nada sobre rastreamento; qualidade de codificação variável; é o óbito, não a trajetória |
| SIA (Ambulatorial) | Volume e distribuição de colonoscopias e sangue oculto pagos pelo SUS; tendência de uso | Indicação do exame (rastreio, diagnóstico ou seguimento); achados; resultado |
| SIH (Hospitalar / AIH) | Internações e cirurgias por câncer colorretal, mortalidade hospitalar, custo, permanência | Estadiamento TNM; rastreamento (que é ambulatorial); identificador estável entre internações |
| Painel-Oncologia (SIA+SIH+SISCAN) | Tempo entre diagnóstico e tratamento no SUS, por UF, faixa etária e modalidade; proporção tratada em até 60 dias | É tabulação agregada (sem microdado); só quem tratou no SUS; estadiamento ausente nos casos cirúrgicos; nada sobre o rastreamento que originou o diagnóstico |
| RHC / FOSP-SP (Registros Hospitalares) | Estadiamento clínico ao diagnóstico, topografia, tratamento e datas; perfil dos casos atendidos | Incidência populacional (sem denominador); viés de seleção do serviço; o exame de rastreamento que levou ao caso |
| RCBP (Registros de Base Populacional) | Incidência populacional de câncer colorretal (têm denominador) | Detalhe de tratamento; método de detecção |
| Coorte de colonoscopia de serviço | Taxa de detecção de adenoma, intubação cecal, câncer de intervalo, acurácia do FIT contra colonoscopia | Representatividade populacional; é monocêntrica e exige prontuário (implicação ética) |
Dois avisos que poupam meses de trabalho perdido:
- O SISCAN não cobre câncer colorretal. Ele integra apenas os rastreamentos de mama e colo do útero (os antigos SISMAMA e SISCOLO). Não existe módulo colorretal. É um engano frequente montar um projeto contando com ele.
- A PNS e o Vigitel não perguntam sobre rastreamento colorretal. Os inquéritos nacionais medem cobertura de mamografia e citopatológico, mas não perguntam sobre colonoscopia nem sangue oculto. Não dá para estimar cobertura de rastreamento colorretal a partir deles, por mais que a base seja tentadora. Isso, aliás, é um achado em si: a ausência dessas perguntas reflete que o rastreamento colorretal no Brasil sempre foi oportunístico, não organizado.
Escolha o desenho, e conheça o viés que ele carrega
Cada desenho responde a uma pergunta e carrega um viés característico. Escolher bem é decidir qual limitação você está disposto a assumir e discutir no manuscrito.
- Transversal de cobertura. Mede que proporção da população-alvo fez o exame num período. Simples, mas sujeito a viés de seleção e sem relação temporal (não distingue causa de efeito).
- Coorte de programa de rastreamento. Acompanha quem foi convidado ou rastreado ao longo do tempo. É o desenho mais forte para desfecho, mas é onde os vieses de rastreamento mais atacam (ver a seção seguinte).
- Caso-controle aninhado. Compara a exposição ao rastreamento entre quem desenvolveu o desfecho e quem não. Eficiente, mas vulnerável ao viés do voluntário sadio: quem faz o exame por conta própria tende a ser mais saudável de partida.
- Ecológico de tendência temporal. Correlaciona, no nível populacional, cobertura ou mortalidade ao longo dos anos. Ótimo para gerar hipótese e descrever tendências (é o desenho natural com dados do SIM), mas sujeito à falácia ecológica: a correlação populacional não vale para o indivíduo.
- Acurácia diagnóstica. Compara um teste (o FIT, por exemplo) contra um padrão de referência (a colonoscopia). O viés mais perigoso aqui é o de verificação: quando só quem teve o teste positivo faz a colonoscopia de confirmação, a acurácia calculada fica distorcida.
Os vieses do rastreamento, um por um
Esta é a seção que separa o manuscrito aceito do rejeitado. Revisores de estudos de rastreamento procuram exatamente por estes vieses, e não reconhecê-los é o motivo número um de recusa. Todos têm nome próprio e todos precisam aparecer, discutidos, na seção de limitações.
Viés do tempo de antecipação (lead-time bias)
O rastreamento antecipa o diagnóstico. Se a doença é descoberta antes, o tempo contado a partir do diagnóstico aumenta, mesmo que a data da morte não mude. Um exemplo torna isso concreto: imagine duas pessoas com o mesmo tumor, que morreriam no mesmo dia. A que foi rastreada é diagnosticada aos 60 anos e a não rastreada aos 63, quando surgem sintomas. Se ambas morrem aos 65, a primeira teve "sobrevida de 5 anos" e a segunda, "sobrevida de 2 anos". O rastreamento não salvou ninguém, mas dobrou a sobrevida aparente. É por isso que sobrevida é um desfecho enganoso em rastreamento.
Viés do tempo de duração (length-time bias)
Tumores de crescimento lento passam mais tempo na fase pré-clínica detectável e por isso têm maior chance de serem pegos por um exame de rastreamento. Tumores agressivos, de crescimento rápido, tendem a surgir com sintomas entre um exame e outro. O resultado é que o rastreamento capta preferencialmente os cânceres de melhor prognóstico, inflando a sobrevida do grupo rastreado sem que o exame tenha melhorado desfecho nenhum.
Sobrediagnóstico (overdiagnosis)
É o caso extremo do viés anterior: o rastreamento detecta lesões que nunca teriam causado sintoma nem morte durante a vida da pessoa. Esses casos entram como "câncer curado", melhoram todas as estatísticas de sobrevida e geram tratamento sem benefício. No colorretal o sobrediagnóstico é menor que em outros cânceres, mas existe, sobretudo em idosos com lesões indolentes.
Viés do voluntário sadio (healthy volunteer bias)
Quem procura rastreamento por conta própria costuma ser, de partida, mais saudável, mais aderente e de melhor nível socioeconômico do que quem não procura. Comparar quem se rastreou com quem não se rastreou mistura o efeito do exame com o efeito de ser uma pessoa mais saudável. É a razão pela qual estudos observacionais superestimam o benefício do rastreamento, e a razão pela qual a análise por intenção de rastrear existe.
Viés de verificação (verification bias)
Específico dos estudos de acurácia. Ocorre quando o padrão de referência (a colonoscopia) só é aplicado a quem teve o teste inicial positivo. Como os negativos não são verificados, você não conhece os falso-negativos, e a sensibilidade calculada fica artificialmente alta. Estudos sérios de acurácia do FIT contornam isso submetendo à colonoscopia uma amostra dos negativos também, ou fazem seguimento longitudinal para capturar os cânceres de intervalo.
A Evidens ajuda a estruturar o estudo, escolher o desfecho correto e blindar o trabalho contra os vieses que derrubam artigos de rastreamento. A autoria e o texto continuam inteiramente seus.
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A estatística que a revisão vai cobrar
Acurácia: sensibilidade, especificidade e o valor preditivo
Num estudo que avalia um teste de rastreamento, quatro medidas se combinam. Sensibilidade e especificidade são propriedades do teste e não mudam com a população. Já o valor preditivo positivo (a chance de quem testou positivo realmente ter a doença) e o valor preditivo negativo dependem da prevalência da doença na população examinada.
Essa dependência tem consequência prática direta. O mesmo teste imunoquímico de sangue oculto nas fezes, com o mesmo ponto de corte, tem valor preditivo positivo mais alto numa população de alto risco e mais baixo numa população de risco médio, sem que sua sensibilidade ou especificidade tenham mudado. Transportar o VPP de um estudo para outra população, sem ajustar pela prevalência, é um erro que revisores atentos pegam. Vale também reportar a taxa de detecção (casos por mil rastreados), que traduz o rendimento do programa em números que gestores entendem.
Taxa de detecção de adenoma como indicador de qualidade
Em coortes de colonoscopia, a taxa de detecção de adenoma é o principal indicador de qualidade do exame e uma variável de desfecho válida por si só. Ela mede em que proporção dos exames o endoscopista encontra ao menos um adenoma, e associa-se de forma consistente ao risco de câncer de intervalo. As metas conjuntas das sociedades americanas, atualizadas em 2024, estabelecem mínimo de 35% no geral, 40% em homens e 30% em mulheres. Um estudo brasileiro de ADR precisa apresentar o denominador correto e estratificar por sexo, sob pena de comparar o incomparável.
Intenção de rastrear contra por protocolo
Quando o estudo tem um convite e uma adesão, as duas análises medem coisas diferentes e ambas devem aparecer. A análise por intenção de rastrear compara todos os convidados com os não convidados, preserva a randomização e responde se um programa de convite vale a pena. A análise por protocolo, ajustada para quem aderiu, responde se o exame funciona em quem o realiza, mas abandona a proteção da randomização e reintroduz o viés do voluntário sadio.
O ensaio NordICC é o exemplo didático. Ele randomizou mais de 84 mil pessoas, das quais cerca de 28 mil foram convidadas para uma colonoscopia única, e apenas cerca de 42% aceitaram. No seguimento longo, a redução de incidência de câncer colorretal foi modesta na análise por intenção de rastrear e bem maior na análise ajustada para quem de fato fez o exame, enquanto a redução de mortalidade não alcançou significância. Descrever esse resultado corretamente, sem confundir o efeito do convite com o efeito do exame, é o que separa uma leitura competente de uma manchete equivocada.
Modelos de tempo até o evento e riscos competitivos
Para desfechos de sobrevivência, o modelo de Cox é o ponto de partida, mas em rastreamento há uma armadilha: a população rastreada costuma ser mais velha, e os idosos morrem de outras causas antes de o câncer colorretal se manifestar. Ignorar isso superestima o efeito. A ferramenta correta é a análise de riscos competitivos (modelo de Fine-Gray, com função de incidência acumulada), que trata a morte por outras causas como um evento concorrente, e não como uma simples censura. Estudos de mortalidade por câncer em idosos que usam Kaplan-Meier ingênuo, sem riscos competitivos, são frequentemente questionados.
Tendência temporal
Para descrever a evolução da mortalidade ou da cobertura ao longo dos anos, a regressão por joinpoint identifica os pontos em que a tendência muda e estima a variação percentual anual (APC). É o método natural para os dados do SIM e o que revistas de epidemiologia esperam ver num estudo ecológico brasileiro de tendência.
A diretriz de relato começa antes da primeira frase
Toda revista séria pede a lista de verificação de relato preenchida no momento da submissão. Escolher a diretriz certa e segui-la desde o desenho, não como formalidade de última hora, melhora o próprio estudo. As principais, todas disponíveis na EQUATOR Network:
| Desenho | Diretriz |
|---|---|
| Estudo observacional (coorte, caso-controle, transversal) | STROBE |
| Estudo com dados de saúde coletados rotineiramente (DATASUS, registros) | RECORD (extensão do STROBE) |
| Acurácia diagnóstica (FIT contra colonoscopia) | STARD |
| Ensaio clínico randomizado | CONSORT |
Para os estudos brasileiros com dados secundários, o par STROBE + RECORD é o mais frequente. A extensão RECORD existe justamente porque bancos administrativos têm particularidades (códigos, ligação de registros, dados faltantes) que o STROBE genérico não cobre, e revistas de saúde pública verificam esses itens.
A ética se resolve antes de coletar
Este é o ponto que mais atrasa projetos, porque muita gente descobre a exigência de comitê de ética depois de já ter os dados. As regras dependem da natureza do dado.
- Dados agregados de acesso público (tabulações do TabNet, do Painel-Oncologia, do IBGE). Pela Resolução CNS 510/2016, pesquisas com bancos de informações agregadas, sem possibilidade de identificação individual, estão dispensadas de registro e avaliação pelo sistema CEP/CONEP. A CONEP confirmou essa leitura em ofício de 2022, referindo-se explicitamente a dados do DATASUS e do IBGE fornecidos de forma agregada.
- Microdados individuais anonimizados (arquivos do SIM, SIH, SIA baixados do FTP). Aqui a situação é cinzenta. Como são dados de saúde, teoricamente reidentificáveis, muitos comitês exigem submissão mesmo quando o arquivo já vem sem identificação, enquanto outros os enquadram como dados públicos dispensáveis. Há divergência real entre CEPs. O prudente é submeter ou, no mínimo, obter uma declaração formal de dispensa do comitê local.
- Prontuários ou coorte de colonoscopia de um serviço. Precisam de aprovação do CEP, sem exceção, porque envolvem o manejo de dados de pessoas identificáveis (Resolução 466/2012). O consentimento pode ser dispensado quando sua obtenção é inviável, mas essa dispensa precisa ser solicitada e justificada na Plataforma Brasil, acompanhada de termo de compromisso de uso dos dados.
Some a isso a LGPD: dados de saúde são dados sensíveis, e a pesquisa se apoia nas bases legais de estudo por órgão de pesquisa e de estudos em saúde pública, com anonimização sempre que possível. E há uma camada nova: a Lei 14.874/2024, que institui um novo sistema nacional de ética em pesquisa, está em fase de transição e ainda não definiu com clareza como ficam as dispensas para dados secundários. Enquanto isso, os critérios anteriores continuam valendo e a Plataforma Brasil segue operando. A recomendação prática não muda: resolva a ética antes de coletar, e confirme o enquadramento com o comitê local.
Onde publicar esse tipo de trabalho
A escolha da revista depende do desenho, e há um erro que elimina o trabalho de imediato para quem precisa de pontuação: publicar em periódico não indexado no PubMed/MEDLINE. Duas revistas tematicamente perfeitas para rastreamento colorretal, o Journal of Coloproctology e a Revista Brasileira de Cancerologia, não têm essa indexação, o que as inviabiliza para muitos programas de pós-graduação. As opções abaixo têm indexação verificada.
| Se o seu estudo é... | Alvos plausíveis (indexados no MEDLINE) |
|---|---|
| Ecológico de tendência de mortalidade (SIM + joinpoint) | Revista Brasileira de Epidemiologia; Cadernos de Saúde Pública; Ciência & Saúde Coletiva |
| Avaliação de cobertura ou de programa no SUS | Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS); Cadernos de Saúde Pública |
| Coorte de colonoscopia, ADR ou acurácia do FIT | Arquivos de Gastroenterologia; ABCD (Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva) |
Vale considerar o modelo de custo. Várias dessas revistas são de acesso aberto sem taxa (Cadernos de Saúde Pública e Epidemiologia e Serviços de Saúde não cobram do autor), enquanto outras têm taxa que pode ser isenta em situações específicas, por exemplo quando um dos autores é sócio da sociedade que mantém a revista. Confirme sempre o valor atualizado da taxa, a política de idioma e o fator de impacto no site da própria revista antes de decidir, porque essas informações mudam a cada ano.
Um roteiro para não travar
- Escreva a pergunta em uma frase, com população, exposição e desfecho definidos.
- Escolha a base que de fato responde essa pergunta, sabendo o que ela não permite.
- Defina o desenho e nomeie, desde já, o viés que ele carrega.
- Fixe o desfecho correto: mortalidade específica, não sobrevida dos casos detectados.
- Planeje a estatística (VPP ajustado à prevalência, riscos competitivos, joinpoint) antes de rodar qualquer análise.
- Baixe a diretriz de relato (STROBE, RECORD ou STARD) e use-a como roteiro do texto.
- Resolva a ética conforme a natureza do dado, antes de coletar.
- Selecione a revista por indexação, escopo e custo, checando os dados atualizados no site.
Rastreamento é um tema onde o rigor metodológico rende mais do que o volume de dados. Um estudo ecológico bem desenhado, com o desfecho certo e os vieses discutidos com honestidade, publica melhor do que uma base enorme analisada com o desfecho errado. O dado já está aí. O que decide a publicação é o desenho.
Perguntas frequentes
Por que sobrevida é um desfecho enganoso em estudos de rastreamento?
Porque o rastreamento antecipa o diagnóstico sem necessariamente adiar a morte. Se a doença é descoberta cinco anos antes, a sobrevida contada a partir do diagnóstico aumenta cinco anos mesmo que a pessoa morra na mesma data (viés do tempo de antecipação). O rastreamento também capta preferencialmente tumores de crescimento lento e lesões indolentes, o que infla ainda mais a sobrevida. O desfecho válido é a mortalidade específica pela doença na população convidada.
Análise por intenção de rastrear ou por protocolo, qual usar?
As duas, dizendo o que cada uma mede. A por intenção de rastrear compara todos os convidados com os não convidados, preserva a randomização e responde se um programa de convite vale a pena. A por protocolo, ajustada para quem aderiu, responde se o exame funciona em quem o faz, mas perde a randomização e reintroduz o viés do voluntário sadio. O NordICC, com adesão de cerca de 42%, ilustra a diferença.
O valor preditivo positivo do FIT muda conforme a população?
Sim. Sensibilidade e especificidade são propriedades do teste, mas o valor preditivo positivo depende da prevalência da doença na população examinada. O mesmo teste, com o mesmo ponto de corte, terá VPP mais alto numa população de maior risco. Não se deve transportar o VPP de um estudo para outra população sem considerar a prevalência de base.
Preciso de aprovação do comitê de ética para usar dados do DATASUS?
Depende do dado. Bancos agregados sem identificação individual (TabNet, Painel-Oncologia) estão dispensados pela Resolução 510/2016. Microdados individuais anonimizados geram divergência entre comitês, e muitos exigem submissão. Prontuários de um serviço precisam de aprovação e, em geral, de dispensa justificada do consentimento. Com a transição da Lei 14.874/2024 em curso, o caminho seguro é consultar o comitê local antes de coletar.
Qual diretriz de relato devo seguir?
Depende do desenho: STROBE para observacionais, RECORD para dados de saúde coletados rotineiramente, STARD para acurácia diagnóstica e CONSORT para ensaios. Todas estão na EQUATOR Network e devem ser preenchidas antes da submissão.
A Evidens oferece assessoria científica de ponta a ponta — desenho de estudo, análise estatística, figuras e estratégia de submissão. Você continua o único autor do trabalho.
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